Estão as matérias-primas a entrar num BULL MARKET estrutural, depois do BEAR MARKET de 2022-2024?
O ponto de partida é barato. Ao nível de classe de ativos, as commodities continuam baratas em termos históricos. O subinvestimento ao longo de mais de uma década criou um estrangulamento estrutural da oferta. Agora, começa a surgir com uma reaceleração cíclica do crescimento global.
O Ouro é o líder do movimento. Já fez o “trabalho sujo”, rompeu máximos históricos, levou atrás o resto do “gang” dos metais e confirmou tendência. Historicamente, o ouro lidera e o resto das commodities segue, com atraso. O “catch-up trade” está apenas a começar.
As alocações e sentimento são ainda combustível por usar. Os institucionais continuam a apostar ainda muito tenuemente, isto é, os Bancos Centrais sim compram ouro de modo consistente, mas o sentimento não é de procura descontrolada. É consistente, mas morna, não eufórica. Estamos, pois, ainda longe de “All In”, que teve uma primeira vaga quando o ouro foi para cima dos 4.000 dólares e se começou a ver pessoas em longas filas na rua para comprar ouro.
A política monetária é o vento de cauda clássico. O ciclo monetário global está a virar para “easing”, isto é, haverá mais ajuda, muito possivelmente mais cedo do que se julga, voltará a haver impressão de dinheiro e com isso o Ouro por exemplo será de novo como sempre, reserva de valor.
Historicamente, commodities prosperam em fases de liquidez crescente e taxas reais a cair. É sempre um dos catalisadores mais consistentes.
Para lá do ciclo, há forças estruturais difíceis de ignorar:
- Transição energética e eletrificação
- Reindustrialização e reshoring
- Infraestruturas envelhecidas
- Geopolítica e segurança de cadeias de abastecimento
- Corrida à IA, robótica e defesa
- Novo ciclo espacial
Tudo isto é intensivo em matérias-primas. Mas as correlações ainda são muito pouco óbvias. Num bull market maduro, tudo sobe ao mesmo tempo e as correlações disparam. Ora, não estamos ainda aí, o que significa que este é um sinal clássico de fase inicial.
Ou seja, o setup de aposta é assimétrico: O risco limitado vs. potencial de subidas significativo. Se a história rima (não repete), 2026 pode marcar a consagração deste movimento como um dos grandes temas macro da década — com implicações diretas para:
- Inflação
- políticas monetárias
- alocação de ativos
- performance relativa face a equities “growth”.
As commodities voltaram a mexer-se… ainda em silêncio. E como quase sempre, o silêncio costuma ser a fase mais interessante.

Ouro é rei, o refúgio de sempre
Perspetiva Geral para 2026
- Após um rali extraordinário de +65-70% em 2025, o ouro entra em 2026 em território elevado.
- Expectativa: consolidação entre USD 4.000 e 4.500, com possíveis desvios dependendo de fatores macro.
- Continua a ser visto como refúgio seguro e instrumento de diversificação de portfólio, mas o “upside” pode ser mais moderado do que em 2025.
- Pullbacks moderados serão oportunidades de entrada, não sinais de reversão.
- Quebra acima de $4.550 – $4.600 pode abrir caminho para $5.050, com potencial psicológico nos $5.000.
- Drivers: aumento de incerteza geopolítica, desaceleração global, cortes de taxas pelo Fed mais profundos do que o esperado.
- Projeção 2026: Entre 10% a 30%, dependendo da gravidade do cenário.
- Cenário de queda: Em caso das circunstâncias geopolíticas e económicas levarem a uma correção do preço, levando a um fortalecimento do dólar por rxemplo, a correção poderá acontecer para a área dos $4.100 a $4.400 dólares.
Drivers Principais do Ouro em 2026
- Política Monetária: Taxa de juros do Fed determina custo de oportunidade do ouro; menos cortes ou aperto moderado podem limitar ganhos.
- Inflação vs Crescimento: Alta inflação + crescimento fraco = suporte; crescimento forte + inflação alta = pressão vendedora.
- USD e câmbio: Dólar fraco favorece ouro; dólar forte pressiona preços.
- Risco Geopolítico: Conflitos, tensões comerciais ou crises energéticas elevam a procura por ouro.
- Compras de Bancos Centrais: China, Polónia, Cazaquistão e outros continuam a comprar ouro, reforçando suporte estrutural.
Resumo Estratégico
- Ouro continua construtivo, mas o rali de 2025 criou níveis de sobrecompra; ganhos em 2026 provavelmente mais graduais.
- O metal permanece relevante como hedge contra risco geopolítico, deportfólio e inflação.
- Investidores devem monitorar: Fed, dólar, crescimento global, compras de bancos centrais e tensões geopolíticas.

Prata, a brilhar como raínha
De metal esquecido a protagonista do ciclo, a prata foi a estrela absoluta de 2025, com ganhos superiores a 150%, entrando num território raríssimo: o breakout de uma base de 45 anos. Tecnicamente, este tipo de movimento redefine todas as métricas tradicionais. Para 2026, o mais importante é compreender que volatilidade elevada não significa fim do bull market. Correções de curto prazo são prováveis, mas o enquadramento estrutural continua extremamente favorável.
Prata não é só hedge (compensação e proteção financeira), ela é matéria-prima estratégica. Ao contrário do ouro, a prata tem um motor adicional: procura industrial estrutural. Energia solar, veículos elétricos, IA, semicondutores e eletrónica avançada dependem fortemente da prata, sem substitutos fáceis. Com a oferta limitada — grande parte da prata é subproduto de outras minas — o mercado entrou no quinto ano consecutivo de défice. Para investidores, isto significa que qualquer correção em 2026 tende a ser mais uma pausa técnica do que uma inversão de tendência.
A China, a geopolítica e o risco de disrupção de oferta são fatorees nesta subida. As restrições chinesas às exportações de prata e a classificação do metal como “mineral crítico” nos EUA mudaram o jogo. Uma disrupção de apenas 7–10% da oferta global é suficiente para provocar movimentos violentos de preço, como já vimos. Este fator adiciona um prémio geopolítico permanente à prata, tornando-a um ativo cada vez mais sensível a decisões políticas.
Cenário técnico para 2026: consolidação com viés construtivo
Na prata, a região dos 60–70 dólares será crítica: manter-se acima deste intervalo preserva a estrutura de bull market. Historicamente, grandes breakouts não terminam com uma única perna de subida — tendem a desenvolver-se em fases.
O ano não deverá repetir a euforia de 2025, mas isso não é negativo. Parece ser um ano de acumulação estratégica, especialmente em correções, com foco num horizonte de 3 a 5 anos. Prata como aposta assimétrica, volátil, mas com fundamentos raramente vistos.
Aviso: Este conteúdo tem caráter meramente informativo. Não pretende incentivar a compra de quaisquer ativos, nem constitui uma proposta, recomendação, sugestão ou convite à realização de investimentos. Importa recordar que todos os ativos devem ser analisados sob diferentes perspetivas e envolvem níveis elevados de risco, pelo que qualquer decisão de investimento — bem como as suas consequências — é da exclusiva responsabilidade do investidor. Este artigo não configura, em momento algum, a prestação de serviços de consultoria ou aconselhamento financeiro.



